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Fim do Caso Elena Varela

Quando da prisão da cineasta chilena Elena Varela López, em maio de 2008, durante as filmagens de um documentário sobre a etnia índia Mapuche, divulgamos informações neste blog e mobilizamos o preenchimento de uma carta, com assinaturas, reivindicando a liberdade pessoal e de expressão da cineasta. Na ocasião, Elena teve apreendido seu material de 4 anos de trabalho de campo, financiado pelo próprio governo chileno. Felizmente, compartilhamos agora a notícia, após 2 anos do caso, da absolvição da documentarista, por unanimidade, pelo Tribunal de Villarrica. Leia mais.

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NA NOSSA SEÇÃO ARTIGOS, o cineasta amazonense Aurélio Michiles reflete sobre o papel do documentário nos dias atuais

NO SITE DA REVISTA PIAUÍ, Werner Herzog afirma que “o nosso senso de realidade está ameaçado”

MINISTRO TARSO GENRO: SALVE CESARE BATTISTI!

Celso Lungaretti (*)

O Conselho Nacional para Refugiados Políticos não considerou como tal o italiano Cesare Battisti, deixando o caminho desimpedido para o Supremo Tribunal Federal determinar sua extradição, o que dificilmente deixará de fazer.

Bem vistas as coisas, entre ele e a pena de 30 anos de detenção – praticamente uma condenação a morrer na prisão, para um homem de 53 anos de idade, que tem levado uma vida de muita dor e sofrimento – a melhor, talvez única, possibilidade de salvação seja a decisão do ministro da Justiça Tarso Genro, a quem a defesa de Cesare Battisti deverá apresentar recurso, reiterando o pedido de refúgio humanitário.

Em último caso – negativa de Tarso Genro e decisão contrária do STF – ainda caberia um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, o precedente da greve de fome de D. Flávio Cappio, quando Lula não cedeu aos reclamos do bispo, desaconselha-nos a nele depositar nossas melhores esperanças.

Trata-se de um caso em que a frieza da Lei conflita com o espírito de Justiça, que inspira ou deveria inspirar nossas ações neste sofrido planeta.

Com vinte e poucos anos, Cesare Battisti pertenceu a um grupelho de esquerda radical na Itália, versão em miniatura das famosas Brigadas Vermelhas. É o que relatou em carta ao Conare, o qual permaneceu cego e surdo ao seu apelo desesperado. [“Fui membro do PAC, mas nunca pratiquei atos de violência… A verdade é que eu já havia publicamente renunciado à luta armada quando da morte de Aldo Moro. Tão logo percebi o caminho pelo qual a esquerda radical italiana poderia estar indo, fui radicalmente contra e cheguei mesmo a dizer a meus companheiros minha discordância.”]

Havia uma imensa frustração entre os idealistas que tentaram e não conseguiram mudar o mundo, em 1968 e anos subseqüentes.

Nos países prósperos da Europa, parecia mesmo que, como o filósofo Herbert Marcuse escrevera, a combinação de uma situação de conforto material com a atuação atordoante dos meios de comunicação de massa fechara totalmente as brechas através dos quais os homens poderiam chegar ao pensamento crítico.

Então, na segunda metade da década de 1970, uns poucos tentaram abrir novas brechas com dinamite.

Foi um terrível e trágico erro histórico.

Por mais impermeáveis às mudanças que se apresentem em determinado momento, as democracias dão espaço a quem quer convencer a cidadania de que a realidade pode ser alterada para melhor.

O jeito é, pacientemente, perseverar no trabalho de formiguinha, até que a situação mude.

A teoria do homem unidimensional de Marcuse (bem como a do fim da História de Fukuyama, que veio depois) dissecava com precisão cirúrgica o momento que a produziu, mas não levava em conta a dinâmica da História, que teima em direcionar-se para novos e surpreendentes caminhos.

P. ex., a recessão que fustigará a economia mundial em 2009 (e sabe-se lá mais quanto tempo) e as catastróficas conseqüências das alterações climáticas (que já começam a nos assolar) ensejam novas possibilidades de atuação aos que querem despertar a consciência coletiva para o fato de que o capitalismo hoje ameaça a própria sobrevivência da espécie humana.

A sofreguidão, entretanto, tornou-se uma tendência avassaladora no mundo moderno.

Muito mais entre os jovens.

E mais ainda entre os idealistas, que exasperam-se por terem uma visão muito nítida das mazelas do seu tempo e de como poderiam ser erradicadas, mas se chocam com a indiferença e o egoísmo da maioria bovinizada.

Battisti, jovem e idealista, acreditou que devesse trilhar um desses atalhos para a transformação da sociedade, já que a estrada principal estava bloqueada. Pagou caríssimo por isto.

Depois que as Brigadas Vermelhas tomaram a decisão inaceitável e inqualificável de executar Aldo Moro, criou-se um estado de ânimo fascistóide na Itália.

Semelhante, p. ex., aos que levaram os EUA a lincharem pelas vias legais tanto Sacco e Vanzetti quanto o casal Rosemberg, cujas inocências saltavam aos olhos e clamavam aos céus.

Foi em processo deste tipo, no qual se registraram verdadeiras aberrações jurídicas em detrimento dos réus, que Cesare Battisti acabou condenado por quatro homicídios cuja autoria ele nega. [“Hoje estou cansado. Se volto para a Itália sei que vou morrer. Embora nunca tenha matado ninguém, me acusaram de ter matado policiais com base em um depoimento de um ‘arrependido’ por delação premiada, que jogou a culpa por muitos atos praticados por ele próprio em mim… Nunca pratiquei atos de violência contra quem quer que seja, e não há testemunha presencial que me acuse de tal prática.”]

Conseguiu escapar da prisão do seu país e leva existência de judeu errante há quase três décadas, perseguido, acossado, finalmente preso no Brasil, a pedido da Itália. [“Fugi para a França, e da França para o México, e do México para a França, e da França para o Brasil. A pé, de ônibus, de avião, de carro, enfim, da forma que fosse possível. Fugi cruzando territórios e fronteiras, que nem sempre eram a minha destinação original. Fugi muitas vezes pensando que nunca mais veria minhas duas filhas, meus amigos, minhas referências de vida.”]

Constituiu família, escreveu livros, reconstruiu-se, bem ao contrário dos que preferiram seguir o rumo insensato até o mais amargo fim, como Carlos, o Chacal.

Hoje, é um homem que, livre, não faria mal a uma mosca. Poderia, finalmente, viver em paz com seus entes queridos e continuar exercendo brilhantemente sua atividade literária. [“Vim para o Brasil pois sabia do calor e do acolhimento que aqui receberia. Sabia também que o Brasil acolhe perseguidos políticos. Hoje tenho certeza que reúno condições de aqui trabalhar, de trazer minha família para perto, de estar ao lado de meus amigos que, mesmo vivendo do outro lado do Atlântico, nunca me deixaram só.”]

Que verdadeiro benefício a sociedade tirará do seu encarceramento por 30 anos, ou até a morte? Nenhum. O olho por olho, dente por dente pertence à pré-História da humanidade.

Mas, Battisti se debate numa dessas armadilhas da História, sem saída pelos caminhos legais.

Não cabe ao Brasil questionar a lisura da Justiça italiana ou o rancor vingativo com que a direita de lá, ao assumir o poder, exumou um caso esquecido e passou a perseguir implacavelmente um homem que não incomodava mais ninguém.

É em nome da clemência, dos sentimentos humanitários e do seu próprio passado idealista que Tarso Genro terá de agir, para salvar Cesare Battisti.

Quando Salvador Allende assumiu o poder no Chile, afirmou à militância que, para ela, jamais seria Sua Excelência, o Presidente, mas sim o Companheiro Presidente. Morreu cumprindo a palavra.

Que Tarso Genro, seguindo os passos de Allende, aja agora como Companheiro Ministro – é o que dele esperam Cesare Battisti e os brasileiros que, como eu, conservam o idealismo e o espírito solidário, mesmo nestes trópicos cada dia mais tristes.

* Celso Lungaretti, 58 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém os blogs O Rebate, em que disponibiliza textos destinados a público mais amplo; e Náufrago da Utopia, no qual comenta os últimos acontecimentos.
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

Fotos do I Encontro de documentaristas latino-americanos do século XXI

Silvio da-Rin e Orlando Senna.

Delegação brasileira - De pé: Wolney Oliveira, Solange Lima, Silvio Tendler e Sergio Muñiz. Sentados: Silvio da-Rin e Orlando Senna.

A delegação brasileira com o argentino Fernando Birri e o organizador Tarik Souki.

A delegação brasileira com o argentino Fernando Birri e o organizador Tarik Souki.

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Olando Senna assina a declaração do Encontro

Sergio Muñiz assina a declaração do Encontro

Sergio Muñiz assina a declaração do Encontro

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Fernando Birri assina

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Takik Souki exibe a assinatura

O chileno Pedro Chaskel assina o documento

O chileno Pedro Chaskel assina o documento

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Solange Lima e a cubana Alquimia Peña assinam

Omar González, presidente do ICAIC, assina o documento

Omar González, presidente do ICAIC, assina o documento

Octavio Getino (Argentina)

O argentino Octavio Getino

O brasileiro Maurice Capovilla

O brasileiro Maurice Capovilla também marcou presença no evento

Yanara Guayasamin (Equador)

Yanara Guayasamin (Equador)

Silvio Tendler e Ana Maria Garcia (Porto Rico)

Silvio Tendler e Ana María García (Porto Rico)

… encontro

Entre 4 e 7 de novembro acontece em Caracas o Encontro de Documentaristas Latinoamericanos do Século XXI, que contará com mais de 100 representantes de 19 países das Américas.

O evento comemora os 40 anos do histórico encontro realizado em Mérida em 1968, além de reafirmar o compromisso estabelecido no I Seminário e Fórum do Documentário Latino-americano, que aconteceu durante o Cinesul, em junho deste ano. Na ocasião, cineastas afirmaram a necessidade de abrir um espaço constante de debate sobre as questões do documentário latino-americano, e divulgaram a Carta do Rio de Janeiro (clique aqui para ler o documento).

Para o evento em Caracas, foram convidados os brasileiros Silvio Tendler, Eduardo Coutinho, Orlando Senna, Silvio Da-Rin, Vladimir Carvalho, Carlos Avellar, José Antonio Ameijeiras, Sergio Muñiz, Geraldo Sarno, Maurice Capovilla, Marilia Alvim, Wolney Oliveira, Eryk Rocha e Solange Lima.

Produção, rede lationamericana de exibição e distribuição, e questões estéticas e de conteúdo são os temas dos debates, que acontecerão no Hotel Alba Caracas. Haverá ainda exibições de filmes na Galeria de Artes Nacional.

A programação completa pode ser encontrada no site do CNAC

… ensaios

Produzida por Davi de Oliveira Pinheiro e Letícia de Cássia, a série para a internet Fronteiras do Pensamento: Ensaios Visuais traz curtas realizados por brasileiros com personalidades do cinema, teatro, música e artes plásticas.

Atualmente, é possível assistir no site a quatro dos cinco vídeos que compõem a série. Em Dois Andares, de Márcio Schoenardie, os diretores Beto Brant e José Padilha conversam sobre cinema no elevador. Na versão para a internet de Teatro de Titãs, de Fernando Belens, o dramaturgo Fernando Arrabal discute mitolgia, ditaduras, os caminhos da criação artística no século XX e o destino do teatro no século XXI. Destaque na nossa seção Vídeos para os mais recentes De volta ao quarto 666, de Gustavo Spolidoro, em que Wim Wenders, assim como fez com amigos cineastas em 1982, é questionado sobre o futuro do cinema na era digital; e What are you looking for?, de Camila Gonzatto, em que o compositor Philp Glass discorre sobre a criação musical.

Cada entrevista já valeria um curta por si só, devido à relevância dos personagens, mas é interessante notar que assim como foi proposto, os realizadores realmente fazem um ensaio visual, utilizando as falas como ponto de partida para mostrar suas visões sobre o fazer artístico.

No site há ainda entrevistas com os diretores sobre o processo de criação.

http://www.v2cinema.com/ensaiosvisuais/

… tesouros do cinema

Já imaginou ter acesso ao acervo cinematográfico das principais cinematecas européias sem sair de casa? Assistir a filmes do final do século retrasado, poder analisar a gênese do cinema?

Pois os cinéfilos já podem se deliciar com essa maravilha da nossa era digital: o site Europa Film Treasures, inciativa de mais de 30 cinematecas e arquivos europeus, reúne 53 filmes inéditos e raros, produzidos entre 1898 e 1970. Os filmes estão restaurados e disponíveis com legendas em espanhol, inglês, francês, italiano e alemão.

A visualização é gratuita, mas os filmes não podem ser copiados no computador. Até o fim do ano o projeto pretende colocar no ar cerca de 100 filmes, e promete quintuplicar esse número até 2012.

O endereço é www.europafilmtreasures.eu

FONTE: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/cinemateca_no_computador.html